Sobras e excessos
O que se faz quando se sente que se tem tanto para dar e ninguém por perto para receber? O que se deve fazer às sobras de sentimento que cultivamos por pessoas que a vida afasta de nós seja porque motivo for? Eu por vezes sinto-me nascente e fonte mas depois o que de mim escorre não tem rio nem mar onde desaguar…
Eu gosto de dar, gosto de me dar. As portas e janelas que se fecham para que nada de mim possa entrar… criam correntes circulares, turbilhões que crescem e se agigantam em mim sem terem por onde escoar. O sentimento não arejado é o mais perigoso de todos porque se volta contra nós. E tanto tempo o mantemos trancado que deixa de ser totalmente controlado. Rodopia e volteia e depois já não é igual ao que era antes e já nem sequer é coisa normal e saudável.
As sobras que se tornam excessos são como os abcessos que aparecem de vez em quando e aos quais de início nem prestamos atenção. Só quando infectam e incham e se tornam enormes bolas de pus verde e pulsante, quando não nos deixam comer, nem dormir nem tão pouco falar e muito menos pensar, só aí percebemos que as nascentes de águas puras e cristalinas que de nós brotaram contra nós se viraram porque não termos encontrado canais por onde pudessem fluir…
Comments
Só queria dizer que tenho a mesma sensação, mas em relação a filhos. Sinto que podia dar tanto e não tenho a quem dar.
Posted by: waterfall | setembro 1, 2006 11:43 AM