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Nada a assinalar

Era bom que a vida às vezes desse mais voltas mas às vezes a gente até queria que as coisas mudassem e elas continuam todas na mesma. E às vezes não queríamos e depois é nessas alturas que as coisas acontecem e normalmente a uma velocidade estonteante de tal forma que por vezes até nem temos bem tempo de processar tudo o que se passa à nossa volta.

Por isso não tenho fé. Por isso acho que nesta vida as coisas boas acontecem por uma mera questão de sorte. Não é que a gente mereça mais do que qualquer outra pessoa. Mas também lá por isso não merecemos menos do que qualquer outra pessoa. Merecemos gostar da vida que temos e quantos de nós se podem gabar disso? Sou uma eterna insatisfeita! Da pior espécie que existe porque tenho tendência a pôr defeitos em tudo o que me aparece à frente. Se eu me contentasse com menos, seria tudo muito mais fácil e nem sequer estou a falar em termos financeiros porque por esse lado felizmente também nunca tive muito nem nunca acreditei que os sentimentos se pudessem comprar por muito dinheiro que a gente tenha.

Aparece-me alguém à frente e eu começo logo a listar os defeitos. Talvez porque sejam normalmente mais visíveis ou talvez porque eu comece logo à procura deles. Ou até porque há coisas que para mim já são defeitos como o facto de um gajo não gostar de viajar (como é possível? E a viagem romântica que eu quero fazer um dia a uma ilha paradisíaca?), ou de gostar demasiado de bola (tentar falar com um gajo que está a ver um jogo qualquer da sua equipa e às vezes até duma equipa qualquer sobre seja que assunto for torna-se um martírio), ou de se armar demasiado às mulheres (esses então fico logo desconfiada! Ou não tivesse eu já sido enganada!), ou de pelo contrário vir com esses discursos de macho feminista que os direitos e deveres dos homens e das mulheres devem ser todos iguais quando a gente sabe perfeitamente que qualquer mulher leva essas coisas a peito (e sabe sempre bem ter um perfeito cavalheiro ao nosso lado, quanto mais não seja porque ser cavalheiro, sem ser demasiado forçado, demonstra respeito pela mulher com quem se está).

No fundo é isso… pretende-se quem nos trate com respeito, dignidade e carinho. E que se interesse por todos os nossos pormenores mais escabrosos e mais íntimos e que nos saiba fazer rir das nossas desgraças. Alguém que nunca nos ignore ou nos remeta para menos do que a sua prioridade máxima. Alguém que nos diga que não sabe viver sem nós e que somos nós o sol (e o sal) da sua vida miserável. No fundo eu sou e sempre serei uma eterna romântica. E como a sociedade pós-moderna se incumbiu de terminar com a nossa raça porque somos pouco produtivos, é certo, começo a duvidar que haja algum dia algo a assinalar neste marasmo de vida que é agora a minha.

E se eu me atrevo a dizer que não sei viver sem amor, ou por outra, que é possível viver sem amor, mas não é isso que eu desejo para mim, e se houver quem não se desate a rir perante este meu desabafo que mais retrógrado não será com certeza possível, então pode ser que ainda haja esperança para os que procuram a felicidade noutro alguém tal como eu.

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