O disco da outra senhora
Pois bem eu não podia deixar passar ao lado o CD/DVD do concerto da outra senhora que esteve cá há quase dois anos e como eu até fui lá e estive bem pertinho até podia ser que aparecesse um ar da minha graça, quem sabe! E depois é sempre bom a gente recordar que aquele dia até foi um dia bem especial apesar do concerto ter ficado um bocadito aquém das minhas expectativas mas é sempre assim que a gente espera sempre mais do que o que depois é!
E eu toda lampeira sentei-me preparada para ver duas horas de música e eis senão quando a dita cuja senhora me dá talvez aí uns vinte minutitos da dita e o resto é frases feitas daquelas que hoje em dia me agoniam mais do que outra coisa qualquer. Está bem que a senhora agora encontrou o caminho e está muito bem com os filhos e o maridinho, mas eu queria era música para me entreter e não leituras das escrituras para me adormecer! Não tenho nada contra claro, que cada um encontra o sentido da vida onde bem calhar, mas se a senhora para mim era mais a atitude e a música, agora que a atitude se foi sobra só a música e neste DVD nem isso! Apetece-me reclamar!
Se bem que por acaso e por coincidência antes de ver o DVD vi um episódio lá do médico malcriado mas que cura sempre os doentes todos em que desta vez era um caso de doença bipolar e eu não sei se a senhora não sofre do mesmo porque ora vai dizendo que agora que descobriu o segredo está muito mais tranquila mas depois continua a praguejar duas vezes em cada frase e até se insurge contra a rainha de Inglaterra dizendo que o país não tem espaço suficiente para duas rainhas!
Portanto achei que aquilo era tudo um bocado para inglês ver e para o resto do mundo achar que a senhora se portou muito mal na sua juventude mas que agora viu a luz e é a sétima maravilha do mundo e até se dá ao luxo de fazer comentários sobre política que aquilo deve afectá-la imensíssimo e inclusive atreve-se a mandar bocas foleiras sobre um dos melhores hotéis de Paris como se não fosse suficientemente bom para alapar o traseiro real que a meu ver merecia umas boas sapatadas que ninguém tem coragem suficiente para lhe dar!
E ainda nos mostra que a filha fala tão bem francês e que o filho sabe dar umas boas gargalhadas como qualquer criança daquela idade, e nenhum dos dois nem sequer é particularmente interessante, e se não fosse o facto de mostrarem umas imagenzecas do nosso país e eu estar à espera de ver aquilo acho que nem tinha aguentado até ao fim! Gosto que façam publicidade às nossas praias que a gente precisa do turismo que este país só se safa quando assumir que a única coisa para a qual tem jeito é para estância balnear e que nós até somos muito mais simpáticos do que qualquer outro povo por essa Europa fora.
Duas horas muito diversificadas portanto mas do concerto que era o que eu queria na realidade ver… quase nada! Ela renega o seu passado mas se não fosse isso queria ver quem lhe enchia as salas de espectáculos que até parece que é só pelos lindos olhos e pela reconversão de ideais que as pessoas continuam a ir vê-la actuar! Mais valia ter ficado caladinha e dar-nos música que é para isso que a gente continua a pagar-lhe!
A frase chave da coisa e a única que eu retive, porque o resto é tudo daquelas frases que qualquer padreco de aldeia nos impinge mesmo sem ter grandes estudos que a gente sabe que o que é importante é a paz e o amor e a luz e o céu e os anjinhos, foi a seguinte “fun is overrated” que é qualquer coisa género "o divertimento está sobrevalorizado" e eu penso mas em que mundo é que esta senhora vive?! Andamos todos aqui a trabalhar para ver se nos conseguimos divertir nos pouquíssimos tempos livres que temos, não como ela claro que os divertimentos a que ela se refere são seguramente diferentes dos nossos ou não se considerasse ela uma espécie de dona do mundo, e depois vem esta fulana dizer que o divertimento já era e que trabalha porque tem que ser porque o que ela queria era estar sempre com a família a desfrutar da paz e da tranquilidade interior que sente quando está junto deles! Ai que volta que tanta hipocrisia me dá ao estômago!
Até aceito que a mulher vinte anos depois seja muito diferente da figura que eu venerava há vinte anos atrás. Mas que se cale então e que nos dê mas é música! Sinto-me defraudada! Raios!