Caça aos patos
Enquanto não encontro a puta da vontade inventei um novo jogo para me entreter nestas noites em que não consigo dormir por mais comprimidos de cores diversificadas que tome. A coisa funciona melhor depois de meia garrafa de vinho tinto e se calha a tê-la mamado toda (como hoje diga-se de passagem) então é um estrondo absoluto! Montei na minha cabecinha uma barraquinha daquelas como havia antigamente nas feiras que se faziam quando era altura das festas populares e pus-lhe assim umas prateleiras assim umas mais para à frente e outras mais lá para trás e assim umas mais para cima e outras mais para baixo e enchi-as de patinhos daqueles de borracha amarelos bué irritantes quanto mais não seja pelo ar apalhaçado que têm que só por isso já ficamos com vontade de os ver esborrachados!
Ena! Encontrei uma vontade em mim! Apetece-me esborrachar patos amarelos de borracha! Mas continuemos lá o raio do jogo que eu não sou mulher para deixar nada a meio!
Então um a um vou substituindo os sorrisos cor-de-laranja e idiotas dos patos amarelos por carinhas de pessoas que eu conheci ao longo da minha vida miserável e que mais valia nem ter conhecido porque delas só guardo más memórias. Vou pondo também umas caras de transeuntes desconhecidos porque os patos são muitos e assim fica mais divertido! E depois de tê-los todos assim, agora meios patos com cara de pessoínhas umas mais conhecidas que as outras é hora de aqui a je escolher a sua arma!
Uma arma para atirar em patos com cara de pessoas é uma coisa importantíssima neste meu jogo da treta porque estas armas são como as varinhas mágicas do Henri Porte ó lá como se chama o raio do miúdo mágico por quem a Sara tem um fraquinho apesar de eu lhe ter explicado mais de mil vezes que o puto não existe senão nos filmes que ela vê e que só servem para enriquecer ainda mais a gaja mais rica da Inglaterra. Como eu ia dizendo há uma varinha para cada mágico, ou por outra, é a varinha que escolhe o mágico e não ao contrário como seria de esperar. Se a gente vai e escolhe a arma errada então não acertamos em pato nenhum com a agravante dos patos se ficarem todos a rir de nós porque quisemos trocar-lhe os sorrisos estúpidos mas estáticos pelos esgares das tais pessoínhas umas mais conhecidas que as outras. E nesta altura do campeonato, hora da noite, garrafa vazia, ter umas quantas dezenas duns sacanas duns patos a rirem-se de nós não é opção válida sob pena de o jogo crashar que é como quem diz arrebentar por todos os lados a começar pelas cabeças sem juízo (como esta aqui a minha) que se metem nos copos e se põem a inventar jogos da treta para passar o tempo.
Já escolhi a minha arma, uma caçadeira de canos serrados que provavelmente é coisa que não existe mas gostei da expressão agora porque canos serrados trazem-me à ideia uma imagem da Fernanda Serrano tal como deus a botou no mundo e só com umas botas pretas de salto alto e claro antes de casar e engravidar lá com o outro embasbacado que aquilo só pode ter sido por dinheiro, só pode! Olha vou trocar a cara daquele pato desconhecido pela cara do embasbacado do gajo da Fernanda que é para ele ver o que é bom para a tosse agora andar a desencaminhar mulheres como aquela que merecia bem melhor!
Portanto pego na minha caçadeira de canos serrados e faço pontaria ao alvo, que é como quem diz ao primeiro pato que me aparece à frente que pode ser já o da cara do embasbacado e pumba! Aqui vai disto e o pato fica logo todo furado e assim tombado para o lado! Eh eh eh! Venha o seguinte!
E depois de visualizar assim uns quantos patos esbugalhados e furados e tombados para o lado eis senão quando estou muito bem a fazer pontaria e já tenho o pato seguinte na mira e aqui é a parte mais difícil de todas do jogo porque se a quantidade de vinho emborcado for demasiada aparece-me um pato com a minha fronha à frente! E eu volto atrás e contabilizo todas as pessoínhas que tinha escolhido e não me lembro de ter pensado na minha própria pessoa! Mas a verdade é que a coisa também já tá assim um bocado desfocada portanto a cara do pato até posso não ser eu mas uma das minhas irmãs ou cunhadas ou na realidade até pode ser qualquer pessoa porque a bem dizer já não vejo nada o que vai sendo sintoma recorrente em mim e o que vale é que tou tão “carregada” que já não me preocupo com nada!
Portanto seja de quem for a cara do pato quero é que sa foda! Pego na caçadeira de canos serrados, penso outra vez na Serrano e fico com um ódio mortal ao embasbacado, e começo a contar de trás para a frente… 5, 4, 3, 2, 1… PUMBA!
(Ai mas que grande dor de cabeça! Mas que granda porra!)