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O meu encontro com o Amor

Pois foi assim que sem ter grandes esperanças dei de caras com aquele que de repente até se pode vir a revelar como o grande amor da minha vida! Confesso que por momentos já tinha mesmo perdido irremediavelmente as esperanças mas num desses acasos que só acontecem uma vez na vida foi assim que o Dário entrou pela minha vida adentro e literalmente me atropelou!

Claro que eu tenho sempre muito cuidado ao atravessar todas as estradas que nós nunca sabemos quando vem por lá algum louco que está mais preocupado em chegar ao destino do que em olhar para as bermas para ver se alguém lá está ou não. E até já tinha comentado com a Vavi que há aqui um cruzamento ao virar da esquina aqui em chegando ao escritório que tem muito pouca visibilidade e alguém devia tratar daquilo e rapidamente e antes que se produzisse um acidente e nisto pumba! Produziu-se mesmo e logo comigo! E estava ali deitada no chão a olhar para o infinito a pensar que de azar em azar este agora assim não vinha mesmo nada a calhar até porque ia com pressa para ir buscar a Sara a casa duma amiga que esta agora resolveu começar a ter uma vida social preenchidíssima que só não me incomoda muito porque assim como assim é em casa doutras que não eu que ela produz as suas maiores asneiras! Mas dizia eu que estava ali jazendo no chão frio da estrada a pensar que era mesmo bem feito ter sido atropelada por ter tentado atravessar daquela maneira descuidada e de repente aparece-me à frente uma visão!

Pois pasmem-se ou não, os olhos azuis mais belos que algum dia vi ali aflitos de preocupação a perguntarem por mim! Se estava bem e eu resmungando que claro que não! Pois se estava ali esparramada no chão sem saber se ainda estava inteira e mesmo que estivesse havia de estar num lindo estado! O homem deu-me a mão e ajudou-me a levantar e pelo menos assim à primeira vista não havia nada partido a não ser um salto dum sapato mas isso já vou eu estando habituada que continuo a dizer que as ruas da nossa capital não foram feitas para os belíssimos e esbeltos sapatos de salto alto que tanto gosto de usar.

O Dário, pois é esse o seu nome, foi de uma simpatia que não se pode, ou então era eu que estava já caídinha por aqueles olhos azuis e pelo seu discreto mas charmoso bigode! Lindo de morrer, vestido de forma casual sem ser demasiado formal mas com estilo, pegou-me na mão e abrindo a porta do lado do passageiro sentou-me no seu carro. Mostrou-se tão delicado comigo que ainda fiquei a pensar se o homem realmente seria homem ou se enfim... que eu cá não estou habituada a machos que passem dos grunhos semi balbuciados e que só dizem qualquer coisa de perceptível quando chamam nomes aos árbitros ou às mãezinhas dos ditos que coitadas das senhoras não tem culpa nenhuma dos filhos terem escolhido uma profissão tão ingrata e tão geradora de insultos alheios!

Mas este macho não é como nenhum outro homem que conheço. É um senhor de meia idade, viúvo e com dois filhos. Ai quando ele me disse que tinha dois rapazes, o Marcos e o Rodolfo, eu quase que caí para o lado! Ainda nem disse nada à Vavi que ela vai logo começar a dizer que eu estou maluca que os dois dele a juntar aos meus três isso dá bem mais do que a conta que Deus fez e que vai ser lindo depois gerir tanta criançada! Mas isso é pôr o carro à frente dos bois que eu ainda nem sei para onde vou. Para já ando perdida no mar azul daqueles olhos brilhantes e intensos deste homem que me atropelou mas que sem saber me salvou…

É verdade, assim como se foi o Fernando, apareceu-me agora o Dário. E ando pelas nuvens com tanto carinho e atenção que ele me tem prestado. Vem-me buscar todos os dias a casa para me levar ao trabalho. Às vezes quando o trabalho dele o permite vem-me buscar e leva-me de volta a casa o que me tem poupado no raio dos saltos da minha extensa colecção de sapatos de salto alto. Muitas vezes fica para jantar e até já lá levou os rapazes se bem que essa experiência ainda me custa a recordar quanto mais a relatar!

O Dário é bancário, é pena não ser banqueiro mas também não se pode querer tudo! Já me ajudou a rever as minhas despesas e até me fez para lá umas contas para eu pagar menos electricidade, e menos água e menos impostos. Não sei se tem a ver com cláusulas especiais para famílias numerosas que eu não percebo nada de números e engano-me sempre nas contas e geralmente nunca a meu favor!

Sei que é bom sentir-me agora assim. Ele trata-me como se eu fosse o centro do seu mundo, uma verdadeira princesa de corpo e alma. Como eu sempre quis… como eu sempre esperei e sonhei! Ainda me custa acreditar que ele existe e que não é uma personagem de ficção, mas ainda agora recebi uma mensagem dele: “Iluminas-me a alma e incendeias-me a paixão. Amo-te Maria Antónia! Do teu, Dário”

Estou apaixonada e muito feliz!

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