O Amor
Ai a minha vida tem sido uma coisa que nem sei bem como ainda estou viva e lúcida o suficiente para estar aqui a estas horas indecentes a pensar em temas que até podem ser prementes mas que nada têm de urgentes. Mas como as crianças já dormem, finalmente e depois de muita luta que cada dia que passa parece que se fazem mais rebeldes estas pestinhas que me roubam o sono e só me dão preocupações e angústias, e eu por acaso agora até me deu uma espertina difícil de justificar até porque esta semana tem sido mais as noites em branco dos que as em preto, isto é, queria eu ter noites de black out total em que não me desse para pensar em coisas que sabe-se lá porque motivo agora me atormentam o pensamento.
Mas o que me traz aqui preocupada hoje foi que recebi uma mensagem dum leitor interessado e muito simpático simplesmente a perguntar-me “ó Mariani, com o peso dos anos e com a sua sabedoria, explique-me lá o que é o amor?” E não é que esta missiva inocente dum tal dum Joca me pôs para aqui a pensar sobre um assunto que de prático não tem nada. Para já o facto de ser um homem a perguntar-me tem tudo a ver porque se fosse uma mulher nem sequer se dava ao trabalho. É, as mulheres já vêm com essa coisa lá gravada algures e todas sabem o que é, ou pelo menos para que serve, o amor. Das mais materialistas que acham que serve para lhes pagarem as contas ao fim do mês, às mais maternalistas que acham que serve para lhes fazerem filhos, cada uma de nós sabe perfeitamente para que quer que sirva esta coisa a que convencionamos chamar de amor.
Pois eu, meu caro leitor Joca, digo-lhe já que acho que o amor é uma grande chatice! Já dizia a minha mãe que deus tem que esta coisa da gente se agarrar às pessoas de quem gosta, e nomeadamente aos homens, é uma grandessíssima estupidez porque eles acabam sempre por nos desiludir e depois quem fica a sofrer somos nós porque depositamos a nossa confiança e o nosso tal de amor nesses seres abjectos que depois nos mentem e nos traem, já para não falar daqueles ainda mais ordinários que roubam e batem nas mulheres.
A gente precisa de companhia, isso não há como negar. Que a companhia seja abastada, e inteligente e de bom trato (entenda-se solidário, companheiro e carinhoso) aí acho que já estamos a entrar no reino da fantasia pura. Há sempre alguma coisa que falha no desgraçado em quem depositamos a nossa confiança e o nosso amor. A coisa até pode correr bem de início e somos muito felizes e achamos que o outro pobre coitado nos preenche mas com o passar dos anos e com o estupor do conhecimento íntimo e rotineiro, pois olhe, acaba sempre por ficar tudo estragado! Depois ficamos mais exigentes e depois já tudo nos enerva. Se nos olham não deviam porque nos irritam. Se não olham ficamos mais danadas ainda. Se fazem não deviam ter feito, ou pelo menos deviam ter falado connosco primeiro. Se não fazem caímos-lhes em cima porque são preguiçosos e agora só querem estar espojados no sofá a ver a bola e ainda se chateiam connosco se não há cerveja fresca no frigorífico. É, o bicho homem com o passar dos anos engrossa e não é só a voz nem aquela zona entre o peito e os genitais mais comummente designada por pneu. Ou então somos nós que afinamos por tudo e por nada e parece que aquele gajo a que até achámos piada agora existe só mesmo com o propósito de nos tirar do sério. Eles embrutecem e nós adquirimos uma sapiência invulgar e mais ainda caso nos demos ao trabalho de procriar. Depois claro que as coisas dão para o torto. Eles começam a fugir de tudo o que é preocupação e trabalho doméstico e nós temos que nos chegar à frente porque mãe não é só mãe de crianças, é também mãe de toda a gente!
Por isso caro leitor escute bem o que lhe digo! Esqueça lá essa coisa do amor que isso é bom para passar o tempo mas não dá anos de vida a ninguém, muito pelo contrário! Faça assim, arranje uma rapariga que seja paciente e veja como é que ela lida com crianças. Se achar que ela tem pinta de mãe e que até tem dotes domésticos, agarre-se a ela mesmo que não seja assim das mais atraentes até porque a beleza física desvanece e muito rapidamente assim que a gente casa que não há como as preocupações conjugais para nos deixarem com má cara e outras coisas mais que eu bem vejo aqui as mulheres que se agarram todas à comida para disfarçarem as carências afectivas que sentem. Seja forte, caro leitor, e não ceda a essas pressões do coração! Escolha com cabeça porque mais vale uma mulher que lhe trate da lida da casa e das crianças do que uma que o tire do sério e lhe dê tesão porque essas coisas com o tempo passam, e muito mais rapidamente do que se julga, e depois é que são elas!
Comments
Há muito tempo que não lia uma coisa tão lúcida!
Posted by: Isabela | fevereiro 5, 2006 03:28 AM
Minha querida Mariani!!!,
Estou de acordo com a Isabel, é claramente um texto muito lúcido...
... afinal de contas somos seres racionais..., embora por dentro de nós não exista apenas o cinzento do cerebro..., também existem outras cores!!!
racionalmente, é o melhor caminho..., sim, ok!
mas...
... um caminho para quê...
Viver Amor?...
...ou talvez seja para SOBREVIVER AO AMOR...
AQUI CHEGAMOS A OUTRO TEMA...
VIVER OU SOBREVIVER...
Tu Mariani, que és uma rapariguinha com classe...
não concordas que...
Tal como mais vale ser Rainha um dia..., que plebeia toda a vida...
Mais vale um momento de Amor..., um simples beijo..., um leve toque de pele...,
que toda uma vida de rotina sem problemas...
muitos bjs Mariani
Posted by: Antonio Maria | fevereiro 5, 2006 01:08 PM
A fiarmo-nos nas revistas do coração, o amor é... três reportagens na Caras e depois muda-se de amor.
E cada vez que se muda de amor, agora sim, é "o amor da minha vida" e "não podemos viver um sem o outro".
Isso, sim, é que é amor. Dura é pouco.
Posted by: José | fevereiro 5, 2006 03:30 PM
Não meu querido António, peço desculpa mas não concordo!
Mais vale Rainha toda a vida e como nunca tal serei essa coisa dos momentos não me serve! Isso é bom para os líricos que acham que o amor se sobrepõe a tudo mesmo que seja durante um só momento. Mas meu querido, a vida não se resume a um só momento! São montes e montes de momentos muito chatos e por vezes até muito dificeis de ultrapassar. E quando a coisa dá pró torto veja bem qual é o amor que resiste? Normalmente nenhum, não é?!
E para que conste eu não ando à procura do amor, eu ando à procura de um marido o que é uma coisa totalmente diferente!
Posted by: Mariani | fevereiro 5, 2006 09:20 PM
Bem minha querida Mariani,
peço imensa desculpa mas percebi mal o teu post...
O Amor não mora aqui...
Não estavas a falar de Amor..., estavas a falar de Maridos...
e realmente existe Amor sem Casamento, tal como existe Casamento sem Amor...
As almas líricas e simples, como eu, de minha graça, António Maria, são assim..., têm muita dificuldade em ver a realidade dura e crua como ela é...
não são estúpidos..., também leram a história da caverna..., das sombras...,etc
... mas acreditam que as ilusões são tipo o sal da Vida...,
...e o sal faz mal ao coração...:-P
Mas deixa prá lá boneca...
Assim vais sobreviver muito mais tempo do que eu...:-P
Quanto ao teu aviso à navegação..., passo..., não tenho nenhuma das qualidades que procuras...
Nas Terras Distantes por onde ando, existe um termo que talvez descreva bem a tua questão:
desconsegui...
é quando se tenta conseguir algo (por ex. Amor), colocando nesse processo toda a nossa alma, todo o nosso ser... e não se consegue...,
tb pode ser utilizado para...
desconheci...
é quando duas pessoas que se conhecem hÀ muitos anos..., deixam de conseguir comunicar..., e entram num processo de desconhecer...isto é, tu conhecias, mas passaste a desconhecer aquela pessoa...
Não ligues Mariani...
São teorias da treta, filosofias baratas...
Vai em frente rapariga, aqui costuma- se desejar...
Saúde, Amor e Dinheiro
para ti...
Saúde, Marido e Dinheiro :-P
Posted by: António Maria | fevereiro 6, 2006 03:05 PM
Não posso concordar com esta visão machista, que deixa a escapar no último parágrafo, o que pode levar a pensar que se conforma com essa visão ultrapassada de paternidade. É demasiado retrógado e conformista, dizer que (ainda que com uns golpes de cosmética) aceita essa função tradicional da mulher, e separa as coisas em termos de 8 ou 80. Sabemos que há quem pense assim, mas as tarefas devem ser partilhadas também pelo pai. Um pai e uma mãe que façam esta divisão de papéis, provocam desde logo uma confusão enorme na criança, e depois esta má tradição vai sendo perpetuada... A maternidade deve ser partilhada, e a paternidade tem os diass contados...
Posted by: António | fevereiro 8, 2006 07:07 AM