Mulher à beira dum ataque de nervos
É verdade sim senhora que sinto aqui falta da voz da autoridade que era o meu Fernando antes de se lhe entrar aquela coisa em forma de lambisgóia pela mente a dentro e o deixar de tal forma apalermado que juro que se alguém hoje em dia lhe perguntar se estes filhos são dele até é capaz de dizer que não que já nem se lembra de os querer ou sequer de os fazer! Desavergonhado!
Estas crianças estão muito indisciplinadas e nem os professores na escola têm mão neles! E eu cá acho mal que os professores não possam exercer a disciplina rígida de outros tempos que umas reguadas nas mãos ou mesmo no traseiro nunca fizeram mal a ninguém. E como os professores limpam as mãos e as consciências destas matérias cabe-nos a nós pais, e no meu caso, a mim que parece que sou mãe solteira de três diabinhos à solta que choram, gritam, desarrumam e sujam a toda a hora e a todo o momento! Estou desejosa para que cresçam e desapareçam! Foram muito queridos pois, aí nos primeiros seis meses de vida até desatarem a gatinhar que pareciam aqueles bonecos de pilhas das lojas dos chineses que fazem uma barulheira doida e dão cabo dos nervos a qualquer pessoa mesmo às mais calmas e pacientes. É que estas pestes só sossegam quando estão a dormir e mesmo assim é de forma relativa porque a Raquelinha parece que tem tosses nocturnas praticamente desde o dia em que nasceu!
O Diogo está numa fase terrível porque acha que já é importante e adulto e vai de questionar tudo o que lhe digo! Já não cede sequer à chantagem e qualquer castigo que lhe dê é sempre recebido com um encolher de ombros e um sorriso trocista acompanhado do irritante reparo: “não há espiga!” Raio do rapaz, que se a tropa deixou de ser obrigatória eu acho mal! Este devia era ir para lá já e nem sequer ter direito de saída ao fim de semana e durante uns 2 ou 3 anos que era para compensar todos os fins de semana que se andou para aqui a arrastar entre a cama e o sofá, deixando atrás de si um rasto de roupa suja e lixo variado que nem dois ou três criados chegavam para limpar a porcaria que este rapaz origina!
E nem sequer vou começar aqui a falar da Sarinha porque não fora ela tão novinha e eu diria que deu nome à teimosia! Quando mete uma na cabeça não há quem lha tire nem arranque por mais ferros e ameaças e castigos e privações. Esta há-de sofrer muito na vida, ou então fazer sofrer caso apanhe algum desgraçado que se apaixone por ela e tente compreender (já para não falar de amar) o que nasceu torcido por natureza! Mas ela não perde pela demora que eu hei-de ter uns privados com os meus potenciais futuros genros que eles até podem deixar-se apanhar mas não irão sem serem avisados!
É que só de pensar que enquanto estes três me atravancarem o juízo e a vida eu não conseguirei dedicar-me à importante e derradeira missão que agora iniciei… fico logo num estado de nervos tamanho! É que ainda por cima quando finalmente me livrar destes empecilhos irei estar tão velha e acabada que ninguém me irá querer pegar… e isto é se eu conseguir lá chegar!
Comments
todos os miudos passam por essa fase de serem bastante reguilas!!!e a sarinha isso deve ser do nome,porque eu sou exactamente como ela!!eheheh
mas agora mais a sério é verdade que um homem ajuda muito a impor respeito mas uma super mãe com tu és tb vai conseguir impor esse respeito...não percas a esperança..eles ainda estão a habituar-se ao novo ambiente em tua casa! :D não desistas!!
e quanto à tua missão,essa é muito importante...não podes desistir,acima de tudo para a tua auto-estima que merece!!!
boa sorte com os 'indios' (tou a brincar!aposto que são uns amores qd estão sossegados!!)
beijokass
Posted by: sarokas | janeiro 14, 2006 09:30 PM
sorri bastante a ler este texto. faz-me lembrar uma outra vida...
Posted by: Nancy Brown | janeiro 14, 2006 11:25 PM
És uma sortuda Maria. E ainda te queixas. Andas mesmo a gozar com os pobres.
Tens tudo para seres a mulher mais feliz. E nem sequer me refiro apenas ao teu bairro. Nesta minha convicção bem podes juntar mais três ou quatro quarteirões. E fundamento o que digo em três razões, essencialmente:
Primeiro, tens três filhos encantadores. O Diogo, a Raquelinha e a Sarinha. “Choram, gritam, desarrumam e sujam a toda a hora e a todo o momento!”. Que bom. Adoro crianças que atravancam o juízo à mãe. Diz-me uma coisa: também metem o gato no micro-ondas e enfiam berlindes pelas goelas do cachorro abaixo? Se sim, são meninos perfeitos.
Segundo, és uma mulher intelectualmente bem apetrechada. Nota-se, claramente, que foste além do 4º ano. Universitário, claro. Fazes umas redacções giras e bem escritas. Ainda não pensaste em escrever um livro? Pois olha que tens jeito. Se eu tivesse o teu jeito já tinha escrito um. E até já tinha título e tudo: “Guia sentimental para senhoras insidiadas com três crianças a cargo e à procura de novo cônjuge”. É pouco imaginativo mas tem splash. Acho que vendia bem.
Terceiro, uma mistura de Bridget Jones (mas em mais magra) com a Ally McBeal (mas em mais gorda)… já estou a imaginar o sofrimento dos homens que te conhecem. Já que não deverão poder mexer, até lhes falta o ar. Claro, imagino também aquele teu sorriso maroto servido com um olhar de soslaio… ó ó… ai, meu Deus.
Pois é Maria. É o que te digo. Tens tudo o que a mim me falta para ser um homem feliz.
Posted by: Ouvidor | janeiro 15, 2006 01:41 AM
ó ó digo eu ó Ouvidor! És o primeiro Homem a dizer-me isso! O sofrimento dos homens que me conhecem? Só se for do Fernando que cada vez que olha para mim leva com punhais directos ao coração, se é que o desavergonhado ainda o tem! Será que eu tenho capacidade para fazer um Homem feliz? Tantas vezes me faço essa pergunta e tantas vezes duvido mais do que acredito na resposta afirmativa. Continuemos pois esta conversa meu querido porque já agora gostaria que me explicasses porque achas que eu te posso fazer assim feliz...
Posted by: Mariani | janeiro 15, 2006 10:14 AM
O.K. Maria, deixa ver se sou capaz. Sim, porque isto de passar para o plano material (o das palavras) aquilo que por essência é imaterial (o que nos vai na alma) não é tarefa fácil. Mas, vamos lá, então, tentar:
Primeiro porque está escrito nas estrelas. Nas estrelinhas, tuas irmãs. Sim, porque tu és uma estrela. E só uma estrela me pode fazer feliz.
Segundo porque gosto de mulheres cultas e inteligentes. O que eu aprendo com elas!… E tu… Basta olhar para a tua montra para perceber que o teu armazém está bem guarnecido e recheado. Ah, como eu gostava de navegar esse espaço imenso. Juro que não estragava nem desarrumava nada. Só queria beber um pouco dessa tua sabedoria. E isso fazia-me feliz.
Terceiro porque gosto que reparem mim. E tu reparaste. Já me obrigaste a ir à varanda às onze e meia da noite gritar: “Ela reparou em mim, ela reparou em mim…”. Lembraste? Os meus vizinhos também. Agora, não se calam com isso. Mas isso faz-me feliz.
Quarto porque gosto que me digam que sou o primeiro. E tu, ainda agora, acabaste de dizer que fui o primeiro. Primeiro, não importa em quê, mas gosto que me digam que fui o primeiro. Claro que ouvir esses mimos contribui para a felicidade do Ouvidor.
Quinto porque gosto de mulheres activas mesmo que não seja em regime de voluntariado. E esses teus três filhos mais a profissão que ainda não sei qual é, mais os amigos, mais a blogosfera, mais não sei o quê, não te devem dar um minuto de descanso. Eu só de imaginar a tua vida delicio-me. A sério, delicio-me. E isso faz-me feliz.
Sexto porque “uma mistura de Bridget Jones (mas em mais magra) com a Ally McBeal (mas em mais gorda)” é algo de esteticamente interessante. Não é que as minhas opções estéticas se esgotem por aí, mas devo confessar que essa mistura é algo que me seduz. E isso faz-me feliz.
E, agora, meu anjo, deixa-me ir almoçar porque isso também me faz feliz. Jiiinhos.
Posted by: Ouvidor | janeiro 15, 2006 01:02 PM
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Posted by: ringtones free | agosto 30, 2006 09:09 PM