O mundo gira ao contrário
Este fim de semana tem sido uma coisa que acho que contado ninguém iria acreditar. Estamos nós muito bem a viver a nossa vidinha muito sossegadas que eu cá nunca fiz mal a ninguém e sempre fui a alma mais pacata que há e de repente desata tudo a correr para o lado contrário do que nós esperávamos e nós nem sequer podemos fazer nada senão esperar que passe. Em alternativa podíamos tentar voltar para trás também mas eu nunca acreditei em olhar para trás. Comigo foi sempre em frente que em frente é que é o caminho mas agora confesso que neste momento já nem sei bem!
Não bastava o Sporting ter ganho ao Benfica logo quando eu me tinha cruzado com o Nuno Gomes que é um amigo de família e já há muitos anos, foi à hora do almoço na sexta feira e ele que é um querido e eu sempre gostei dele apesar daquele ar de menino que nunca há-de chegar a ser homem, ele garantiu-me que iam ganhar e um dos golos seria dele e dedicado aqui à Mariani. Até me explicou a técnica e tudo, pé cruzado ou traçado ou lá o que é que eu infelizmente de futebol não percebo nada e depois qualquer coisa assim como um efeito inquinado ou enfeitiçado e a bola vai por cima de todos e só para quando bate lá bem no fundo da rede. Mas apesar de todos esses truques que ele e os outros lá sabem que são pagos para isso, o jogo correu-lhes mal coitados e logo agora que iam todos lançados… amanhã é que de certeza o Zézinho se vai fechar lá na sala das máquinas todo o dia e provavelmente nem de lá sai senão no final da semana.
E depois a gente já sabia que ia estar frio que andavam aí todos a avisar mas de repente estava eu muito bem a estender roupa e a ouvir a chuva a cair lá fora e depois já não ouvia nada e a chuva continuava a cair mas já não ia assim tão direitinha como isso que parecia que as gotas de repente tinham engordado mas estavam mais leves que demoravam mais tempo a chegar ao chão e andavam assim às voltas e eu assustei-me com aquilo e até chamei o meu Diogo que se desatou a rir comigo e a chamar-me de tosca porque aquilo era neve! E eu sei muito bem o que é neve porque já vi sim senhora que já fui passear à Serra da Estrela um ano destes antes das crianças nascerem mas agora assim de repente não associei e pus o rapaz de castigo que não tem nada que andar a gozar com a mãe dele que este vai pelo mau caminho a não ser que eu ainda vá a tempo de o inscrever na junta para ver se o mandam para a tropa que é o que ele precisa. É que neve aqui na cidade… não me lembro de ver e eu já cá ando há uns anitos largos apesar de não o parecer!
E depois o que me assustou mais do que tudo foi que de repente, hoje e sem aviso prévio, tive uma visão do meu Fernando! Até liguei logo à Caju e ela disse-me que tinha sido um flax! E eu que nem sabia o que isso era nem que se podia ter isso assim no meio da nossa lida diária quando andamos a limpar a banheira da porcaria imensa que três crianças lá deixaram que a gente nem sabe onde é que tanto lixo se acumula e se agarra. Um flax… quem diria que eu com esta idade e separada já há tantos meses ainda tinha destas coisas! Pois foi como se ele me aparecesse mesmo ali à frente, e nada como era agora, era o meu Fernando do início da nossa vida de casados. Nunca foi nenhum deus, mas até que era bem jeitoso. E não é que me deram os calores de estar ali a ver o homem assim à minha frente todo excitado a avançar para mim com aquele olhar que não enganava ninguém ou pelo menos não me enganava a mim até a outra me ter levado o olhar e o homem e me ter deixado assim à mercê destes flaxes danados que ainda agora estou a tremer só de pensar. Será que o homem voltou do além para me atazanar o corpo já que o espírito está mais dormente que acordado? Se isto me começa a acontecer muitas vezes nem sei como vai ser daqui para a frente. Ou arranjo um Homem de carne e osso depressa que me venha arrefecer estes calores interiores ou então entrego-me de vez ao fantasma do Fernando para que me leve daqui para o além onde pelo menos deve estar menos calor do que cá dentro e menos frio do que lá fora!