De ressaca!
Ai mas quem me mandou a mim tentar afogar as minhas mágoas no álcool! É isso e este corpinho que já foi uma dádiva dos deuses antes dos três diabinhos que pari me darem cabo das coxas e das pernas e das mamas e a bem dizer do resto do corpo todo… salvou-se a cara, vá lá que com uns retoquezinhos ainda ninguém me dá os quarenta. Mas como ia dizendo este corpinho que era tão jeitosinho já nem o álcool aguenta, os candidatos a futuro não podem ser grandes bebedouros ou será bebedeiros que se diz? Bêbados não é concerteza que isso até parece mal! Mariani que se preze não anda cá com homens alcoólicos! Ai… e isso também… da lá agora algum jeito ter um diminutivo igual ao nome da vivenda do nosso quase certo futuro presidente? Ai… mas deixa-me lá lembrar o que foi que me pôs neste estado desgraçado à beira do coma alcoólico…
Primeiro foi a primeira passagem de ano que passei sem o meu Fernando que a deve ter passado agarrado à outra maldita que se eu não fosse uma senhora educada ainda ia às fuças da dita! Ai a cabeça… onde estava eu com a cabeça pois… quando resolvi que ia beber até me aquecer ou então até me esquecer que o meu Fernando me trocou, velhaco, safado! Os homens são todos iguais mas haverá por aí um que seja menos igual que os outros?! Ai…
Bebi para esquecer esta minha vida madrasta que me levou o Fernando (bem, isso não foi a vida, foi a outra cabra!) O Diogo foi para os copos com os amigos. Eu nem sabia que eles com esta idade já vão para os copos mas ele diz que sim e eu acredito. Ele lá saberá da vidinha dele que eu já nem da minha sei… ai… as miúdas suplicaram-me para ir passar o ano a casa da tia porque queriam mostrar não sei o quê dos morangos aos primos… morangos com chantilly na idade delas também não me parece nada apropriado, mas até que me fizeram um favor. E eu olha, agarrei-me a tudo o que era álcool cá em casa e vai de emborcar para aquecer ou esquecer, já nem me lembro bem qual era…
Mas depois é que foram elas! E foram elas mesmo coitadinhas que me salvaram… que eu nem sei do que foi mas deu-me uns afrontamentos tão súbitos que por momentos pensei que era a menopausa a chegar-me e mesmo ali ao bater da meia-noite! Mas aquilo não passava e eu cada vez suava mais e mais, tive que me agarrar ao telemóvel que vibrava e vai de ligar pró número da mensagem que tinha acabado de chegar. Felizmente era a Vavi que se prontificou logo a vir-me salvar deste afogamento propositado mas não controlado em álcool! Trouxe a Ani com ela e ainda bem porque mulher previdente como esta não há e assim que chegou enfiou-me logo a cabeça por baixo do chuveiro de água fria apesar das injurias e dos arranhões que apanhou que o que me vale é que estas duas já me conhecem à tanto tempo que não se ofendem facilmente. Escorrendo água fria e tremendo por todos os lados (juro que até a unha do dedo mindinho do lado esquerdo tremia!) lá me enfiaram um café bem forte e um guronsan que isto não há como as amigas para nos darem miminhos em alturas que nos apetece deitar tudo fora. Se bem que a uma determinada altura até foi mesmo tudo fora! Ai a cabeça… ai Mariani onde estavas tu com a cabeça mulher?
A Vavi repreendeu-me pois claro que uma mulher que se preze nunca bebe sozinha porque nunca se sabe se a coisa pode dar pró torto. Imagina que aparecia aqui o vizinho do quinto esquerdo, sim aquele divorciado que tem um ar de predador… a mim parece-me mais um ar de bovino mas a Vavi insiste que ele é um predador nato e ela lá deve saber que tem faro para essas coisas! Enquanto a Vavi me picava os miolos a querida da Ani dava-me festinhas que tem que haver sempre um anjo nesta terra para nos consolar as mágoas e as bebedeiras despropositadas. E eu acabei, ou antes acho que comecei o ano a chorar o que não abona muito a meu favor. Foi uma noite para riscar e felizmente só teve como testemunhas estas minhas duas amigas fidelíssimas que juraram não contar a ninguém o que tinham presenciado e sobretudo o meu ar desmazelado e descontrolado.
Não foi um bom princípio para um ano em que parto em busca do meu príncipe encantado, enfim, parto novamente porque já parti uma vez e ali por uns breves momentos achei que o tinha encontrado mas isto a memória prega-nos partidas e na realidade já nem sei bem que piada eu achei ao Fernando. Às tantas casei porque já toda a gente tinha casado e com vinte anos já a família se convencia que eu ia ficar para tia. Aliás já era tia nessa altura porque as minhas irmãs mais velhas se encarregaram de parir quase em cima do seu próprio casamento. Pensando bem até acho que houve uma que pariu ali na igreja e tudo! O pobre do pároco teve que se ajoelhar mas desta vez não foi para rezar nenhum terço. Foi sim para ajudar a minha irmã a empurrar o cabeçudo do Joaquim cá para fora e se o pároco deve ter tido com que se penitenciar nesse dia! O homem já só fazia o sinal da cruz e pedia ajuda às mulheres mas o mulherio todo queria era ir prós comes e bebes e não achou piada à Maria Jacinta ali a fazer aquele espalhafato todo mesmo à frente do altar. Mal ou bem lá nasceu o cabeçudo do meu sobrinho e lá fomos todos jantar, ou melhor cear que às horas que estava tudo resolvido já havia por lá pessoal a desmaiar… talvez fosse da fome ou da cena que acabavam de presenciar que é uma coisa que ninguém espera num casamento, mesmo sendo um desses de última hora para esconder uma gravidez mais que evidente.
Ai a minha cabeça… pois onde estava eu com a cabeça para me embebedar?! E logo hoje que tinha prometido à Sarinha ajudá-la a estudar que a miúda está com uma dificuldade qualquer com a tabuada dos 8. Sabe-as todas de cor mas embirrou que não gosta do número 8 e agora não há nada a fazer porque a miúda é teimosa como uma mula, e tem a quem sair que já o meu Fernando… ai… pela minha rica saúde, eu tenho que tirar este homem da minha cabeça… é que é um peso que quase nem vejo nada! É que ainda por cima o homem deu para engordar e ultimamente andava tão gordo que nem sei como é que um rabo de saia se foi meter com ele, mas eu de homens já não percebo nada que parece que desde que o Fernando se começou a aliviar noutros lados (ai que raiva!), mas parece mesmo que estou num convento à espera que alguém me venha libertar. A Vavi bem me emprestou uma coisa que ela para lá tem, um vibrador parece que é como aquilo se chama, mas a coisa amoleceu nas minhas mãos! Ela até se chateou comigo porque parece que lhe estraguei o brinquedo e aquilo não tem garantia nem nada que foi comprado em Espanha que ela cá tinha vergonha de o comprar…
Ai já estou a ver tudo a andar à roda… e esta letra tão miudinha… mas porque é que estes senhores tão gentis que me cederam este espaço não me puseram a coisa um bocadito maior? De certeza que não pensaram nas mulheres ressacadas que precisavam de vir para aqui no início do ano desabafar por causa excesso de álcool (e de crianças que estas que aqui tenham berram que se fartam!) e da falta de homem! Ai… se eu para o ano passo uma noite igual a esta, juro que desisto de procurar um Marido!
Comments
heheheh! Olha, bebe shots de vodka, como eu, e vais ver que todos te parecem principes encantados! :-P
Posted by: Carla Judite (Caju) | janeiro 2, 2006 11:11 PM
Ai mulher mas não pode ser assim! Eu cá quero um homem que eu saiba reconhecer pela manhã e não um saco de batatas que vou ter que arrastar e lançar pelas escadas do prédio abaixo... e tem que ter um certo discurso inteligente e sabes que os homens e o álcool, enfim, nem sempre é um bom casamento!
Posted by: Mariani | janeiro 2, 2006 11:34 PM
já cá cheguei...
:)
Posted by: Ana Rute Cavaco | janeiro 3, 2006 08:33 AM
eheheh...
mas q rica passagem de ano!!! nas nuvens, não?!!!
;)
Posted by: judite | janeiro 8, 2006 06:22 PM