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Belo jantar!

Fomos a um indiano o que à partida me deixou logo assim descorçoada porque o raio do cheiro que se entranha normalmente na roupa, pois! Não gosto muito de tanta especiaria e óleos e gorduras que eles para lá usam, mas o rapaz já tinha reservado e o malandro até devia mas era ter um arranjinho qualquer com o dono que eu bem o vi cochichando com ele ao fim do jantar. Às tantas são da família, mas o Fanuco é tão branquinho e estes indianos são tão escurinhos… enfim, isso não quer dizer nada que a Lucinda do homem do talho teve uma criança tão escura que durante uns tempos achamos que o rapaz era filho do irmão da Zefa, a tal mulata do quarto direito. Mas com o tempo o rapaz lá esbranquiçou e a coisa amornou.

Pois mas o que interessa mesmo é que familiares ou não, lá nos serviram um repasto digno de um marajá! Foram muitas e variadas entradas, e mais aqueles pães sem fermento que ficam assim fininhos e baixinhos mas que marcha tudo na mesma que eu hoje nem almocei nem nada tal era a ânsia de guardar espaço para o jantar à borla. E no meio disto tudo eu juro que o rapaz que nos servia também devia estar com um copito a mais porque primeiro deitou água no meu copo de vinho e depois pegando no dito despejou-o no copo de água. E depois quando trouxe o vinho pois vai de o misturar com a água que já estava no copo correcto. Eu fiquei um bocado estupefacta, o Fanuco vermelho e sem saber onde se enfiar, e eu lá disse ao rapaz que assim não podia ser porque água com vinho no copo de água, ou vinho com água no copo de vinho, nem uma coisa nem outra portanto vai tudo para trás e traz-me mas é dois copos lavados! É que realmente! Se os copos ainda fossem iguais, vá que no lusco fusco do restaurante o rapaz não se apercebesse qual dos líquidos era água e qual era vinho… mas sendo um copo maior que outro, acho que deviam ter um bocadinho mais de deferência, especialmente tratando-se do serviço que é requerido a uma senhora fina como eu, que posso ser pobre mas sei muito bem comportar-me à mesa!

Depois ainda houve um momento mais constrangedor que o Fanuco coitado é esforçado mas não vai lá não! Pois que se me pôs a olhar para os vegetais que nos serviram de entrada e a murmurar que a Ildinha é que havia de gostar daquilo que ela não comia carne, só peixe e vegetais. E eu ali já a bufar e a dizer-lhe: “ó ó… mas francamente! Mas tu estás aqui com a Ildinha ou estás aqui comigo?! Se estás a pensar nela vou-me já embora!” que uma senhora não pode deixar passar estas oportunidades sem demarcar o valor da nossa companhia que era só o que mais me faltava agora o homem estar ali comigo a pensar na outra invejosa que por esta altura se deve estar a roer toda para saber como correu o nosso jantar.

O Fanuco bem tentou, ser cavalheiro e tudo o mais, mas não dá, não atinge coitado! Apesar de me ter vindo buscar e trazer a casa, de me ter pago o jantar, e de ter feito um esforço para me deixar passar sempre à frente, ele realmente não sabe como tratar uma mulher! É que para saírem asneiras mais ofensivas que elogiosas, então mais vale estar caladinho! Que foi o que ele fez para o final que já estava meio enfiadito e também ligeiramente bem bebido que eu às tantas tive que lhe esconder o copo de vinho porque assim como assim era ele que vinha a conduzir e para acidentes já me basta o raio do tornozelo que vá lá mesmo assim se portou menos mal e não me apoquentou durante o espaço dumas horas. Ou isso ou ficou anestesiado com a quantidade de álcool que ingeri pois que é verdade que ando a beber um bocadito mais que a minha conta… e tenho que ter um certo cuidado porque Mariani que se preze não se mete nos copos não senhora! Enfim, toca mas é a beber um cházinho e enfiar-me na caminha que estes desvios em dias de semana dão cabo de mim, mesmo sendo por uma boa causa, mas que se notam no dia seguinte lá isso notam!

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Comments

Fanuco!? Eunuco?
Melhor sorte para a próxima que a malta quer é ter gente feliz à nossa volta.

este pode ter sido o primeiro encontro com um homem de muitos...as vezes tem-se que escolher bem para depois acertar!:)
boa sorte na busca!

Não gostas de indiano?? Ai é? Muito me contas. Eu bem te vi, das ultimas vezes que fizémos lá os nossos jantares do Grupo do Ponto Cruz, a comer como se não houvesse amanhã!

Jantar a um indiano? Bem feito. Estou vingado. Ainda que mal saibas, ontem também não foi, decididamente, dos meus melhores dias.
Como sabes passei tempos infinitos à espera de alguém com um pé feito num oito que não chegou a aparecer. Depois de hora a fio à espera e já com uma fanica do caraças, decidi entrar no primeiro tasco que me apareceu. Ali para baixo, lá entrei num, acho que se chamava Bica no Sapato (raio de nome). Veio o empregado fazer a encomenda disse-lhe logo que para abrir queria uma sopa bem aviada. O moço trouxe-me uma fria mas que não era má de todo. Se bem percebi era uma sopa que se chamava vichisoise. Depois disse-lhe que queria um peixeinho à maneira, então aí o garçon, perante a minha indecisão trouxe uma dose de cada que lá tinha. Por isso tive de pôr a marchar uma dose de "sushi", outra de "sashimi" e outra ainda de "tempura" de vieiras. Bem depois de bem repastado já não tive coragem de mexer na "perdiz estufada na caçarola", limitei-me a pedir uma frutinha e aí o senhor disse-me que me ia trazer umas "pétalas de morango" que por acaso estavam muito saborosas.
Aquilo, por acaso até parecia um restaurante moderno aceitavam pagamento com cartão de crédito e tudo. E foi o que fiz enquanto tomei o cafézinho.
Estranhamente quando cheguei a casa nem cheirava a fritos, nem a molhos orientais, nem a óleo de déndém. Estranho, lá em casa toda a gente me dizia que de mim erradiava uma suave fragância a uma espécie de mistura de cacharel, armani, versace, chanel, adolfo dominguez, gucci, jean-paul gaultier... e os nomes todos que aquela gente ia dizendo. Até pareciam nomes de gente de revista.
Por isso é que eu acho que a noite não me correu bem. Chegar a casa a cheirar a nomes que ainda por cima me pareciam, quase todos, nomes de homens não dá com nada.
E tudo por culpa de alguém que tinha o pé feito num oito e que ficou de aparecer. E que em vez de aparecer resolveu dar-me uma banhada.
Moral da história: quem dá banhadas ao Ouvidor vai à janta com o Fanuco e vem da janta a cheirar a indiano.

Ó Caju eu gostar não gosto lá muito! Mas a gente que é pobre e remediada tem que aproveitar o que pode porque nunca se sabe se não irá ter direito a mais nada!

E por falar em ter direito a... ó ouvidor meu caríssimo senhor! Bica do sapato, japonês e francês?! Pois olha agora fiquei ainda mais descorçoada mas é que depois percebi que não dava tempo para tudo e ainda por cima estava coxa e desconsolada com a minha grande penca... peço muita desculpa e uma segunda oportunidade... pode ser?

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