Básicos, são todos básicos!
Tirando o ouvidor que me está a sair melhor que a encomenda, os homens que eu conheço são mesmo primários de básicos! Nem vou sequer falar do Fernando, esse energúmeno que me trocou por uma lambisgóia sem jeito nem trato nenhum! Ainda se ela fosse rica… mas não, nem sequer foi pela atracção ao vil metal que ela agarrou o animal! Que lhe faça bom proveito!
Mas enfim, não era sobre essa besta mor que nem sonha nem sabe o que deitou fora que me queria debruçar agora. Falo dos homens que me rodeiam e que de vez em quando me devolvem um olhar tão bovino que apetece pregar de imediato uma estalada para que voltem ao planeta dos seres inteligentes! Hoje fomos à farmácia à hora do almoço que a Raquelinha continua com uma tosse pavorosa e estava uma bicha que as pessoas até já se amontoavam todas cá fora e eu para não estar ali à espera e porque assim como assim ainda queria ir à papelaria pedir à Zefa que me deixasse deitar um olho às revistas do social que ela é uma querida e faz-me esse jeito quando não anda a tentar desencaminhar o Zé Manel das carnes, pois disse ao Zézinho das fotocópias para ficar ali a guardar lugar. Virei-me para ele e disse-lhe mesmo: “Tu ficas aqui à minha espera que vou ali mas já volto, está bem?” e ele com o ar bovino que de vez em quando vem à tona: “Tá!” E lá fui eu à minha vidinha descansada por saber que o Zézinho me fazia o favor de me guardar o lugar e ainda por cima cá fora que estava um frio que não se aguentava.
Nisto estando eu já imersa nas fotografias dos natais dos bebés reais (é impressão minha mas são todos mais gorduchos e mais estrábicos que os nossos?!), entra-me o Zézinho por ali adentro com o ar mais relaxado do mundo… claro que pressenti logo que ia haver chatice da grossa porque se há coisa que eu não suporto é um homem que não sabe guardar o lugar a uma senhora! “Então mas o que é que se passa Zézinho?” e ele, ai valha-me deus que ainda me dá uma coisa má só de pensar, e ele responde-me “Vinha perguntar se era mesmo para ficar ali fora à espera porque tá muita gente à frente”. Ai e eu tenho que ouvir estas coisas e trabalhar com estas pessoas! Estes homens não discorrem? Não pensam que para além de tentar agradar a uma senhora, e já nem estou a pedir tanto, ao menos que façam o que lhes é pedido? Ai que falta de pró-actividade! Aliás neste caso nem existe reactividade sequer, porque este homem sofre mesmo de ausência de matéria cerebral! E não reage a estímulos porque não tem sequer ponta por onde estimular!
Comments
Não sei que diga, não sei que faça, não sei que pense. Nem sequer sei se era assim que aquela coisa híbrida rezava, mas também não importa. O que importa agora é que fiquei siderado, banzado, desagregado, desestruturado e mais três metros e oitenta de vocábulos terminados em ado, tais como emocionado, impressionado, perturbado, atarantado e sei lá que mais…
Ai, deixem-me suspirar fundo. Hum, que suspiro bom. Pronto, já está. Já estou mais aliviado. Nestas horas de maior comoção e de foguetório interior é que a criação nos devia ter apetrechado com meios, mecanismos, ferramentas e todo o tipo de artefactos que nos permitissem ver e fixar (até onde nos apetecesse) as nossas próprias incontinências espirituais e imateriais, bem como os respectivos afloramentos físicos.
Juro, gostava de ver e fixar este brilhozinho incontido que se me escapou quando cruzei os olhos com as primeiras palavras deste post. “Tirando o ouvidor que me está a sair melhor que a encomenda,”… parei. Voltei atrás. “Tirando o ouvidor que me está a sair melhor que a encomenda,”…
Ups, ela reparou em mim. Ela reparou em mim. E mais do que isso acha que estou a sair melhor que encomenda. Eu sabia, eu sabia… que um dia alguém havia de reparar em mim.
Ai esta irresistível vontade de ir à varanda e gritar bem alto para toda a cidade ouvir: Ela reparou em mim, ela reparou em mim…
É que isto de um homem ter de engolir sempre para dentro não dá com nada…
Posted by: Ouvidor | janeiro 11, 2006 11:28 PM
Oi Mariani, embora eu fique até desconfiada que vc não existe, estou esperando os próximos posts p/ ver no que é que dá esta tua procura. vc me faz pensar numa amiga portuguesa, Fátima, que tem a mesma história de marido sem vergonha, mulherengo e traidor. Uma lepra mesmo. Será isso coisa de português?
Posted by: Katia | janeiro 12, 2006 02:31 AM
Ó Katia, não. Isso é coisa de brasileiro mesmo.
Posted by: Dorival | janeiro 12, 2006 09:45 AM
Reparei sim homem e já nem é de agora ó pensas que a tua cultura e profundidade intelectual são indiferentes a uma mulher inteligente como eu?... Extravasa esse fogo interior vá, dou-te permissão para isso aqui...
Katia claro que eu existo ora essa! Então não sou uma mulher loura e bonita e de olho preto vivaço de carne e osso, mais carne que osso mas ainda bem tenra e apetecível??
E infelizmente esta praga de maridos traidores não é apanágio de nenhuma cultura em específico... é mesmo um mal geral! Pois se até o presidente dos Estados Unidos foi apanhado com a boca no charuto bem no centro da sala oval da Casa Branca!
Posted by: Mariani | janeiro 12, 2006 10:48 AM
Energúmenos são o que são!
Por isso é que virei para o nosso lado! Não quero mais saber de homem nenhum!!!
Posted by: Carlota Joaquina | janeiro 12, 2006 12:11 PM
Ó Dorival, desculpe-me ter pisado no seu orgulho próprio.
Conheci poucos homens portugueses mas a grande maioria das portuguesas falam muito mal dos próprios homens. Alguma coisa anda acontecendo que elas estão realmente insatisfeitissíssimassss
Posted by: Katia | janeiro 12, 2006 03:02 PM
Realmente, às vezes apetece fazer toc, toc, na cabeça de certas pessoas a ver se soa a oco. Mas olha que não é previlégio masculino. Xicoração.
Posted by: carlos | janeiro 12, 2006 05:45 PM
Cheguei. Venho atrasado, não?
Posted by: José | janeiro 12, 2006 07:25 PM
Ó Mariani, estou te adorando e realmente me divertindo com vc, que é pessoa muito inteligente, mas se os homens do seu meio se parecem com dois dos exemplos que aqui estão, entendo as tuas dores...vc deveria mesmo escolher o Ouvidor, que tem cultura e alma de poeta , ou procurar um pouco mais longe.
Posted by: Katia | janeiro 12, 2006 11:41 PM
Alô Maria, sim sou eu. É só para te dizer que vim cá espreitar - e já é a vigésima nona vez, esta noite - e nada. Então hoje não há post para comentar? E agora como é que eu justifico ter ficado até tão tarde sem fazer nada. E depois é assim... e tu bem sabes... eu já não adormeço direito sem descarregar para aqui um comentário. Lá vou ter que contar outra vez ovelhinhas para ver se adormeço... 1, 2, 3,.... 566, 567, 568... 2434, 2435, 2436...
Posted by: Ouvidor | janeiro 13, 2006 01:32 AM
Ó ouvidor tu desculpa-me mas ontem foi um dia complicado para mim. Senti muito a falta do meu Fernando e tanto que até fiquei sem pio! Mas hoje já me encontro mais estável... e espero que isto passe!
Posted by: Mariani | janeiro 13, 2006 09:53 AM