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Acudam-me!

Ai que eu nem sei como chego hoje aqui que se soubessem em que estado estou que de tão enervada quase que nem vejo nada! Claro tudo por culpa dessas pestes que são estas crianças que tenho a meu cargo que se houvesse um deus, juro por deus que já se havia de ter apiedado de mim e já me havia de ter feito chegar uma ajuda seja ela de que forma fosse, monetária talvez fosse a mais rápida e eficaz que eu continuo sempre a acreditar e a jogar mas não há como ganhar!

Pois ontem como quem não quer a coisa o inútil do Diogo vai de se queixar que eu sou uma mãe desleixada e vai daí mete-me a mão à guedelha, que é certo que está a precisar de ser desbastada mas não há-de ser por mim e muito menos agora, mas saca-me uma coisa minúscula que eu adivinhei logo ser um daqueles seres nojentos e microscopicamente patudos que dão pelo nome de piolhos! Não é normal este anormal saber que os tem, até andar a catá-los e valha-me deus quem sabe até comê-los e não me dizer nada senão no meio duma discussão acalorada em que de repente se lembra que eu agora sou uma mãe descuidada!

Pois piolhos tinha ele às centenas, e tinham elas e até eu! Seres mais infectos que estes não há e ainda por cima minusculíssimos que já não me bastava achar que tinha que mudar a graduação das lentes agora acho que estes olhos que tão bem me serviam nunca mais se endireitam de tanto esforço que fiz para tentar focar a visão nestes pontinhos negros que não param quietos nas cabeças das crianças só para chatear os adultos que até parece que não tem mais do que fazer do que andar atrás deles com uns dedos que ainda por cima parecem patas de elefante a tentar apanhar ovos sem os partir! Pois que não, estes dedos assim redondinhos e escorregadios não nos servem lá muito nestas missões de precisão!

E depois deles faltava eu, ai… só de me lembrar! Claro que tive que chamar a Vavi e a Ani para me virem ajudar que ainda não inventaram um método para nos catarmos a nós próprios! A Vavi apareceu de lenço no cabelo todo preso e pejado de ganchos e disse-me logo que nem pensar se iria aproximar deste antro de nojice que era o estado em que se encontrava a minha bela e sedosa cabeleira loura. Valeu-me a querida da Ani que esta até para meter uma vez a mão na sanita à procura duma moeda que tinha saído das entranhas da Sarita, pois nem isso lhe meteu impressão que juro que esta mulher devia ter sido coveira em vez de engenheira! Com método e precisão lá me espalhou ela a porcaria da loção que se alguma vez isto é loção e não desinfectante e daqueles bem carregados de lixívia que até parece que me querem enganar, eu que tenho um faro apuradíssimo e podia bem ter sido perfumeira! E não falo daquelas que vendem que para isso qualquer uma serve, falo mesmo das que inventam os perfumes!

Pois para o meu faro sensibilíssimo esta coisa nojenta que é a loção anti-piolheira pois tenho a impressão que me afectou mais até do que a cabeleira! Agora para qualquer lado que me vire, até aqui sentada ao teclado que estas coisas de plástico não deviam cheirar a nada ou quando muito a plástico queimado como no outro dia a ficha derretida na tripla dos chineses, mas não, não me cheira minimamente a queimado mas a um cheiro tão nauseabundo que nem sei o que faça à minha vida ou ao meu nariz! Será por o ter tão pronunciado? Será que o tamanho da penca influencia a sensibilidade do faro? É que de repente voltei a ter aqueles pensamentos narigo-suicidas e estou vai não vai para pegar ali no martelo e dar-lhe uma marretada! Agora não para que mo arranjem de forma a que me assente melhorzito mas porque não quero cheirar mais nada! Este nariz… bem dizia o meu Fernando que ia ser o meu desassossego para o resto da minha vida que não sabe estar quieto ali no meio da cara porque de repente até acha que deve ter uma existência mais interessante e colorida que a minha! Pois que vai de se meter em tudo o que é conversa só porque chega sempre primeiro do que eu… e depois lá tenho que pedir desculpas por ter um apêndice mais intrometido do que eu! Enfim, às vezes dá jeito porque lá me dizia o nariz que havia qualquer coisa que não cheirava bem em relação ao Fernando que de repente me começou a feder a perfume barato e o desconfiado do nariz não me deixava sossegada por mais desculpas esfarrapadas que o homem me desse que eram as novas clientes e que de repente todas usavam o mesmo perfume e um dos mais rascas ainda por cima!

Não me aguento aqui mais pois não! Se de repente desaparecer do mapa pois foi porque a mão venceu e foi com o martelo direitinha ao nariz! Pumba pumba pumba! E acaba-se já a história e a missão e vai mas é tudo fora e à martelada!

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Comments

Então rapariga, que é isso? Deixa lá estar o apêndice nasal em paz. É que depois os passarinhos não tinham mais onde pousar. Xicoração.

Muito pensei e muito hesitei! Mas deixei-o em paz e nem sequer é pelos passarinhos ó carlos. É mais porque tem-me dado jeito ser assim bisbilhoteira e ainda não venci o pânico que tenho de lhe dar uma martelada e em vez de o arrebentar só a ele pois estragar toda a minha cara! Fica o apêndice como e onde está pois então!

Esse teu nariz já me fez a cabeça. Já me fez a cabeça e ainda não o conheço. Imagina, agora, tu, que essa felicidade me era concedida. Ó ó...

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